Ah! quem nos dera que isso, como outrora, ainda nos comovesse!
Ah! quem nos dera que ainda juntos pudessemos agora ver o desabrochar da primavera!
Saíamos com os pássaros e a aurora, e, no chão, sobre os troncos cheios de hera, sentavas-te sorrindo, de hora em hora: “Beijemo-nos! amemo-nos! espera!”
E esse corpo de rosa recendia, e aos meus beijos de fogo palpitava, alquebrado de amor e de cansaço…
A alma da terra gorjeava e ria…
Nascia a primavera… E eu te levava, primavera de carne, pelo braço!
Autor: Olavo Bilac
